2. SUPERNOVAS julho 2012

1. FELICIDADE  DEFINIDA PELOS GENES DE CADA UM
2. NOTAS RPIDAS
3. ESSENCIAL  O GORDO  O NOVO FUMANTE
4. CONEXES  DE RAGNAR A NEYMAR
5. CINCIA MALUCA
6. O NIBUS QUE CURA RESSACA
7. T COM RAIVA? V PARA O QUARTINHO
8. A GRANADA DO BEM
9. POLMICA  QUERO COMPETIR COM ATLETAS SEM DEFICINCIA
10. PAPO  O CIENTISTA DO THE BIG BAND THEORY
11. BANCO DE DADOS  QUEIJO
12. INFOGRFICO  A SELEO BRASILEIRA REAL

1. FELICIDADE  DEFINIDA PELOS GENES DE CADA UM
Estudo realizado com 800 pares de gmeos indica que DNA  o fator que mais influencia no bem-estar de uma pessoa  no o que ela vive durante a vida. 
TEXTO SALVADOR NOGUEIRA E BRUNO GARATTONI

     O que mais influi na felicidade de uma pessoa? As experincias que ela tem durante a vida? Ou caractersticas previamente escritas em seu cdigo gentico? Essa discusso, que mobiliza a cincia h dcadas, acaba de ser desequilibrada a favor de um lado: o DNA. Foi o que concluiu um estudo feito pela Universidade de Edimburgo, na Esccia, que analisou 837 pares de irmos gmeos. Cada par de gmeos havia sido criado na mesma casa, pelos mesmos pais, e por isso teve experincias parecidas na vida. Metade dos gmeos era univitelina, ou seja, com DNA idntico, e a outra metade era bivitelina, com DNA diferente. O objetivo do estudo foi comparar univitelinos e bivitelinos, e com isso identificar a influncia do DNA sobre determinadas caractersticas do ser humano  inclusive de quem no  gmeo.
     Os voluntrios responderam a questionrios que mediam vrios aspectos do bem-estar psicolgico, como o grau de autonomia da pessoa e sua capacidade de ter relacionamentos saudveis. Os gmeos univitelinos, de DNA igual, tiveram pontuao mais parecida que os bivitelinos  que tm DNA diferente, mas cresceram no mesmo ambiente. Ou seja: na prtica, o DNA influencia mais que o ambiente no grau de felicidade da pessoa. Houve influncias genticas substanciais em todos os componentes, diz o psiclogo Timothy Bates, autor do estudo. J os efeitos do ambiente foram insignificantes. Em suma: cada pessoa tende a um nvel natural de felicidade, que j vem programado no seu cdigo gentico. Lembre-se disso na prxima vez em que voc estiver muito feliz  ou infeliz.


2. NOTAS RPIDAS

CIENTISTAS CRIAM NOVO TIPO DE BIFE 
O corte se chama Vegas Strip Steak, foi criado por pesquisadores da Universidade de Oklahoma e promete um verdadeiro milagre: transformar carne ruim em boa. O corte usa as partes menos nobres do boi (que hoje so modas para fazer hambrguer), mas resulta num bife com consistncia e sabor de fil mignon. Pelo menos  isso o que alegam os cientistas, que esto tentando patentear sua criao. A iniciativa tem gerado curiosidade e polmica nos EUA  onde parte da opinio pblica considera absurda a tentativa de patentear um pedao de carne.

BRASIL  O PAS QUE MAIS ATORMENTA O GOOGLE
Justia brasileira  a que mais manda o Google deletar contedo de seus servios, como Blogger, Picasa e Orkut. Mas a empresa nem sempre obedece.

EUA
Servio mais censurado: GOOGLE GROUPS. Motivo: Difamao
Total de pedidos (em 2011): 92
Pedidos atendidos pelo Google: 58

CORIA DO SUL
Servio mais censurado: BUSCA NO GOOGLE. Motivo: No divulgado
Total de pedidos (em 2011): 88
Pedidos atendidos pelo Google: 74

NDIA
Servio mais censurado: ORKUT. Motivo: Crticas ao governo
Total de pedidos (em 2011): 68
Pedidos atendidos pelo Google: 34

REINO UNIDO
Servio mais censurado: GOOGLE ADWORDS. Motivo: Publicidade irregular
Total de pedidos (em 2011): 65
Pedidos atendidos pelo Google: 53

ALEMANHA
Servio mais censurado: BUSCA NO GOOGLE. Motivo: Contedo nazista
Total de pedidos (em 2011): 125
Pedidos atendidos pelo Google: 107

BRASIL
Servio mais censurado: PICASA. Motivo: Direitos autorais
Total de pedidos (em 2011): 224
Pedidos atendidos pelo Google: 150

ESPANHA
Servio mais censurado: YOUTUBE. Motivo: No divulgado
Total de pedidos (em 2011): 13
Pedidos atendidos pelo Google: 7

ARGENTINA
Servio mais censurado: BUSCA NO GOOGLE. Motivo: Difamao
Total de pedidos (em 2011): 21
Pedidos atendidos pelo Google: 21

TURBINA PRODUZ GUA NO DESERTO
Aparelho criado por empresa francesa custa o equivalente a R$ 1,5 milho, mas gera at mil litros por dia.
1- O vento do deserto movimenta a turbina. Isso gera energia eltrica para alimentar um compressor.
2- O compressor suga o ar do deserto para dentro da mquina.
3- O ar  comprimido, com isso, a gua que estava presente nele (na forma de vapor) se transforma em lquido.

PORTUGAL VAI CORTAR FERIADOS
O governo portugus decidiu suspender 4 dos 14 feriados nacionais, para fazer as pessoas trabalharem mais e tentar superar a crise econmica que afeta o pas. Os feriados suspensos incluem datas importantes, como Corpus Christi e dia da Independncia de Portugal. A medida valer at 2018.

IDADE PODE SER DETECTADA PELO CHEIRO
 essa a concluso de um estudo feito na Sucia, que comparou o odor corporal de pessoas jovens, de meia-idade e idosas. Os cientistas ainda no sabem por que o cheiro das pessoas muda durante a vida.

REMDIO AJUDA A FREAR CONSUMISMO
A memantina, droga hoje usada para tratar pacientes de Alzheimer, tambm pode ser eficaz nos casos de transtorno consumista  em que a pessoa fica literalmente viciada em compras. Aps receber a droga por 8 semanas, num estudo da Universidade de Minnesota, os voluntrios passaram a fazer 50% menos compras.

3 HORAS
 a tempo que a comida leva para se transformar em gordura nos quadris ou na barriga, segundo a Universidade de Oxford. Os cientistas injetaram um composto radioativo em alimentos e com isso conseguiram acompanhar as molculas deles dentro do organismo.

ELAS DEVIAM PARAR DE TOMAR BANHO.  ESSE O PROBLEMA,
sugeriu o senador Morgan Fernai, do Zimbbue. Ele quer criar uma lei que proba as mulheres do pas de tomar banho  para que fiquem menos atraentes e assim caia o nmero de relaes sexuais no pas, que sofre com uma epidemia do vrus HIV.


3. ESSENCIAL  O GORDO  O NOVO FUMANTE
Nunca houve tanta gente acima do peso  nem tanto preconceito contra gordos. De um lado, o que h por trs  uma positiva discusso sobre sade. Por outro, algo de podre: o nascimento de uma nova eugenia.
TEXTO RODRIGO REZENDE

     Detrs da trincheira de copos de Coca-Cola em sua mesa, o prefeito de Nova York discursa: A obesidade  um problema nacional. E as autoridades s esfregam as mos e dizem: oh, isto  terrvel.  apenas uma entrevista coletiva de imprensa, mas ele age como um chefe de Estado s vsperas de um combate.  o que o povo quer que eu faa, diz o bilionrio Michael Bloomberg. E ele faz: declara uma guerra. Contra o refrigerante. Sua principal arma: proibir a venda de copos maiores que 500 ml.
     A nova cruzada de Bloomberg levanta uma questo: faz sentido tratar refrigerante como droga? Do ponto de vista da sade pblica, a resposta  um sonoro sim. Segundo o especialista em obesidade Robert Lustig, da Universidade da Califrnia, o acar que adoa refrigerantes deveria estar na mesma categoria que o lcool, nicotina, cocana e herona: Ele tambm  uma substncia txica com alto potencial de abuso. Por essa lgica, tambm deveria ser controlado. Exagero? O efeito das taxas de obesidade na economia dos EUA indica que no: US$ 190 bilhes anuais em gastos diretos e US$ 4,3 bilhes de prejuzo anual por danos  produtividade. Um quinto desse prejuzo  causado apenas pelo acar presente em bebidas. Ao levar em conta o estrago que os refrigerantes fazem na sade americana, o cenrio  ainda mais sombrio. Mais de 130 mil casos de diabetes, 14 mil casos de doenas coronrias, 6 mil mortes diretas e 50 mil anos de trabalho perdidos por invalidez. Tudo isso s na dcada de 1990.
     Ok, os nmeros deixam claro que uma latinha de refrigerante pode, sim, esconder um veneno mortal. Mas o buraco  mais embaixo: praticamente toda a indstria alimentcia explora o poder viciante do acar. Quanto mais acar tem um produto, mais ele vende, diz Lustig. O cientista ainda aponta o uso do acar para disfarar sabores desagradveis. Com quantidade suficiente,  possvel fazer coc de cachorro ficar gostoso. Em essncia,  isso que a indstria vem fazendo. Sem dvida, sobram argumentos slidos para defender o controle da obesidade. At a, tudo parece certo com a lei de Bloomberg. Mas tambm  preciso analisar o quanto medidas que tentam restringir nossa alimentao se fundamentam em associaes equivocadas entre obesidade e doena. Ou mesmo em puro preconceito: boa parte dos gordos no apresenta nenhum problema de sade relacionado  obesidade. Mesmo assim, ela muitas vezes  vista como fraqueza moral. O empresrio Roberto Justus, por exemplo, j afirmou que no contrataria pessoas obesas pela falta de empenho que teriam em emagrecer. E Justus no est sozinho: num estudo da Faculdade Notre Dame, na Califrnia, pesquisadores distriburam currculos falsos entre alunos para que eles escolhessem um novo professor. Os currculos no tinham foto, mas traziam o peso de cada candidato. Resultado: os de 200 quilos eram preteridos em favor de concorrentes com qualificao idntica, mas 120 quilos a menos.
     Outro exemplo de preconceito so medidas extremas contra minorias, como a proibio de fumar em reas abertas e sem aglomerao humana. No  improvvel que num futuro prximo o mesmo tipo de exagero cometido em leis antitabagistas radicais se estenda ao controle da obesidade. A o novo fumante ser o obeso. Para algumas companhias areas, alis, eles j so: s entram no avio se comprarem dois bilhetes (reservar assentos maiores para eles est fora de cogitao claro). A intolerncia com os obesos, no fim das contas,  um grande estmulo para o abuso de medicamentos para emagrecer  o oposto do que podemos chamar de sade.
     At aqui falamos muito do lado social do problema, mas uma questo passou batido. E o lado pessoal? Proibir algum de tomar um balde de refrigerante ou de comer doce de coc de cachorro no seria um atentado contra a liberdade individual? Entre os que respondem sim, est o humorista e f de refrigerante Jerry Seinfeld: Sou contra a proibio. Sou a favor da continuao do processo de seleo darwinstica das pessoas por meio do consumo de bebidas com acar.
     A piada de Seinfeld no tem nada de politicamente correta. Assim como abrir um refrigerante tem bem pouco de saudvel. Mas no d para negar: fazer piada politicamente incorreta e tomar refrigerante com acar so expresses da liberdade individual. At que ponto  tico e correto proibi-las? Difcil saber. Mas uma coisa  certa: a resposta no ser encontrada em um gabinete politico. 


4. CONEXES  DE RAGNAR A NEYMAR
TEXTO FBIO MARTON

RAGNAR LODBROK - Legendrio guerreiro e pirata viking, Ragnar  celebrado em verso e prosa nas sagas nrdicas. Seu maior feito foi a invaso de Paris, no ano 845, quando ele comandou um grupo de 120 barcos e 5 mil guerreiros. Mas, 20 anos depois desse triunfo, Ragnar acabaria caindo em desgraa. No muito longe, na...
GR-BRETANHA - Em 865, Ragnar naufragou nas costas da Nortmbria, atual Inglaterra. Acabou preso e executado. Como vingana, seus seguidores invadiram o reino, detonando uma sequncia catica de invases e guerras civis que s acabaria em 1707, com a fundao do Reino Unido. Que fez a Revoluo Industrial e criou a...
FERROVIA - O escocs James Watt (1736-1819) criou o motor a vapor moderno e, em 1804, o gals Richard Trevithick (1771-1833) teve a ideia de usar esse motor para mover um vago. Nascia a ferrovia. Uma inveno genial, que se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil, trazendo consigo alguns imigrantes ingleses. Entre eles, o pai de...
CHARLES MILLER - Filho de um engenheiro ferrovirio escocs, Miller (1874- 1953) nasceu em So Paulo e foi para a Inglaterra aprender a profisso do pai. Aprendeu a consertar trens e a jogar um tal foot-ball. Quando voltou, espalhou o jogo pelo Estado  inclusive Santos, onde terminava a ferrovia. E onde seriam revelados Pel e...
NEYMAR - Assim como Pel (nativo de Trs Coraes), Neymar no nasceu em Santos:  de Mogi das Cruzes. Mas, como era bom de bola, aos 11 anos foi adotado pelo Santos F.C., onde ganhou projeo internacional. E, assim como Ragnar, fez sua fama vestindo shorts  Ragnar Lodbrok quer dizer bermuda peluda em nrdico arcaico.


5. CINCIA MALUCA
TEXTO THIAGO PERIN

IOGURTE AUMENTA TESTCULOS DE RATOS
A ideia era testar a eficcia do alimento no controle de peso ao longo dos anos. Mas os cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts descobriram algo curioso: a dieta com iogurte deixou os testculos dos ratos at 15% maiores. Os pesquisadores no sabem explicar o motivo.

PUBLICIDADE FUNCIONA MELHOR COM VIOLNCIA
Uma pesquisa da Universidade de Rochester, nos EUA, selecionou voluntrios para ver dois filmes, intercalados por comerciais. Um dos filmes continha cenas violentas. Quem assistiu a ele sentiu mais vontade de comprar os produtos anunciados na publicidade. Isso supostamente ocorre porque o consumismo ajuda a aliviar a angstia gerada pelas cenas de violncia.

PULAR CATRACA DO METR VALE A PENA
Pelo menos em Nova York, onde um estudo feito pelo prprio metr apontou que o risco de ser flagrado pulando a catraca  de 1 em 154. Isso significa que, estatisticamente, cada pessoa s pode ser pega uma vez a cada 6 semanas. Se isso acontecer, h multa de US$ 100. Sai mais barato do que comprar um bilhete ilimitado para 6 semanas (US$ 174.)

NO SITE
Leia mais no blog Cincia Maluca: super.abril.com.br/blogs


6. O NIBUS QUE CURA RESSACA
Acordou com dor de cabea e gosto de guarda-chuva na boca? Basta dar um telefonema  e ele vir lhe ajudar.

ajudar.
     Uma noite de bebedeira pode render surpresas desagradveis no dia seguinte. Em Las Vegas, mais ainda: a pessoa pode descobrir que perdeu dinheiro jogando ou se casou com algum que mal conhecia. Mas a cidade j oferece um servio que promete acabar com um dos problemas: a ressaca.  o Hangover Heaven (paraso da ressaca), nibus que circula por Vegas e funciona como uma clnica itinerante. Nosso tratamento reduz em at 75% os sintomas da ressaca, alega o mdico Jason Burke, criador do servio. Para ser atendido, basta chamar o nibus por telefone. Dentro do veculo, Burke analisa o estado do paciente e administra uma soluo intravenosa que pode conter soro fisiolgico, vitaminas B1 e B12, remdios anti-inflamatrios e antinuseas e substncias como cloreto de sdio, cloreto de potssio, cloreto de clcio e lactato de sdio, que supostamente ajudam a remover toxinas do organismo. O tratamento dura 45 minutos e custa de US$ 90 a US$150.
     A comunidade cientfica encara a ideia com ressalvas. A reidratao com soro e vitamina B  um bom remdio. J a soluo de sdio no faz sentido. E os anti-inflamatrios podem causar danos ao estmago, avalia o mdico Drew Oliveira, professor da Universidade de Washington. Burke diz que criou a mistura baseado em sua experincia como anestesiologista (pois o perodo ps-anestesia causa no paciente um mal-estar parecido com ressaca) e antes de lanar a frmula a testou em amigos e em si mesmo  pois costuma sofrer com ressacas. Trs taas de vinho j me deixam mal, diz. 
TEXTO MICHELLE ALVES DE LIMA, DOS EUA


7. T COM RAIVA? V PARA O QUARTINHO
Est louco da vida, a ponto de jogar alguma coisa na parede (ou em algum)? No faa isso... Entre na Anger Room: uma sala onde  permitido destruir tudo.

     Quem nunca ficou to irritado que sentiu vontade de sair quebrando tudo que via pela frente? Agora existe uma maneira de extravasar a raiva sem ficar no prejuzo: a Anger Room (sala da raiva, em ingls), um lugar onde as pessoas podem quebrar todos os objetos presentes. O ingresso mais barato custa US$25 e d direito a ficar 5 minutos detonando a sala, que fica na cidade de Dallas e inclui mveis, telefones, TVs, computadores e at manequins. O fregus pode escolher a disposio dos objetos para que o ambiente fique com cara de escritrio ou de casa, e tambm selecionar uma trilha sonora (a msica mais pedida  Break Stuff, da banda Limp Bizkit).
     A maioria dos meus clientes so pessoas normais. Recebo muita gente de escritrio e mes de famlia, diz a empresria americana Donna Alexander, criadora do negcio. Os objetos da Anger Room so provenientes de doaes e, depois do quebra-quebra, os restos so enviados para usinas de reciclagem. O negcio recebe em mdia 36 pessoas por dia.
     Usar a agressividade para aliviar a tenso  um paliativo, no soluo diz a psicloga Tatiana Paranagu, da PUC do Rio de Janeiro.  muito mais fcil socar a parede do que identificar os reais motivos que causam o estresse. E mais divertido tambm.
TEXTO ANNA CAROLINA RODRIGUES


8. A GRANADA DO BEM
Ela foi criada para combater ditaduras.  E pode ser altamente letal. Mas no bom sentido.

     Egito, Tunsia, Imen, Lbia. Sria. Esses pases tem vrias coisas em comum: movimentos revolucionrios, combates sangrentos nas ruas, censura  internet. Mas no que depender do engenheiro Julian Oliver, os insurgentes vo ganhar uma arma poderosa. Por fora ela se parece  F1, granada de mo do Exrcito francs que contm 60 gramas de TNT. Mas quando seu pino  puxado, ela no explode. Ativa um minicomputador interno, que comea a coletar informaes sobre o local  tem um microfone que grava os sons ambientes e uma antena que acessa as redes WiFi a at 250 metros, interceptando todos os dados (como e-mails e comunicaes via Twitter e Facebook). A granada fica captando dados por at 200 horas  tempo de durao de sua bateria e depois envia tudo para servidores na Alemanha, onde as informaes podem ser recuperadas e repassadas  imprensa. A ideia  que a exploso de informaes possa sacudir as instituies polticas, explica Oliver, que tambm  artista e est expondo a granada em uma galeria de Berlim. Por enquanto, ele no tem recursos nem planos para distribuir a granada, mas j est criando uma verso Android do software dela (que os insurgentes podero baixar e instalar em seus smartphones).
TEXTO BRUNO GARATTONI E KARIN HETSCHKO


9. POLMICA  QUERO COMPETIR COM ATLETAS SEM DEFICINCIA
No vejo diferena entre provas olmpicas e paraolmpicas  vejo tudo como novos desafios. E acho que est na hora de deixar atletas deficientes, como eu, competir de igual para igual com os outros. Qual  o problema disso? 
TEXTO OSCAR PISTORIUS (Corredor amputado sul-africano, dono de 4 medalhas de ouro paraolmpicas, e que obteve na Corte Arbitral do Esporte (CAS) o direito de competir em eventos normais. Assim, foi semifinalista dos 400m no Mundial de Atletismo de 2011.)

     A pergunta  inevitvel quando as pessoas olham meu currculo como atleta paraolmpico, afinal sou campeo dos 100m, 200m e 400m nos Jogos de Pequim de 2008. Por que voc insiste tanto em competir com os chamados atletas normais?. A resposta  simples: eu luto pelo que acredito. E isso significa que preciso de novos obstculos  sem olhar para uma corrida como um prova olmpica ou paraolmpica. Todas exigem o melhor de mim. J participei de um Mundial para atletas no-portadores de deficincia. Fui o primeiro atleta paraolmpico do mundo a fazer isso, alis, e cheguei s semifinais dos 400m competindo de igual para igual com os outros. E agora sonho em disputar as Olimpadas de Londres (ele ainda precisa do ndice).
     Em 2008, meu caso na Corte Arbitral do Esporte mostrou que correr com prteses no me d nenhuma vantagem sobre os outros corredores (o tribunal, depois de analisar evidncias cientficas, obrigou a Federao Internacional de Atletismo a voltar atrs da deciso de proibir o sul-africano de participar de competies). Foi difcil ter de ir aos tribunais para confirmar minha igualdade, mas j consegui provar cientfica e legalmente que no levo qualquer vantagem ilegal com o uso da Cheetah Flex Foot, a prtese de fibra de carbono que uso. (Pistorius nasceu sem as tbias e teve as pernas amputadas abaixo dos joelhos, aos 11 meses). As pessoas podem falar o que quiserem, mas provamos que as prteses no me ajudam a correr mais. Na verdade, a CAS aceitou o argumento de que saio em desvantagem por no contar com a mesma exploso muscular de atletas no-portadores de deficincia.
     Na competio principal, no acho que tenha chances de medalha, mas participar dela j  meu sonho. Meu objetivo  chegar o mais longe possvel, sem me importar com a deficincia. Acredito que as pessoas devem ter a chance de tentar ser o melhor que possam ser  independentemente de rtulos. Por enquanto, me parece impossvel um atleta ganhar medalhas nas duas competies, pois nenhum paraolmpico chegou perto dos meus tempos nos 400m, por exemplo. E a minha melhor marca  45s07, enquanto os melhores atletas normais da distncia correm abaixo de 44s90. Acho que parte da reao negativa contra minha participao nas corridas normais  motivada pelo temor do impacto crescente da tecnologia em nossas vidas. Afinal, as minhas prteses so um tipo de adaptao tecnolgica. No fao parte desse debate, prefiro ser enxergado como um atleta tentando se superar. Ao mesmo tempo, acho que todos ns envolvidos no esporte temos a responsabilidade de educar as pessoas para o fato de que todos temos muitas habilidades na vida.  nisso que devemos nos concentrar, em vez de focar naquela pequena parte que  a deficincia. 


10. PAPO  O CIENTISTA DO THE BIG BAND THEORY
Todos os roteiros do seriado favorito dos nerds passam pelas mos do fsico David Sattzberg. Ele revisa e corrige os erros que podem aparecer nas falas dos personagens. As vezes,  ele quem d o toque cientfico s cenas. Nesta entrevista, Saltzberg fala sobre o trabalho como consultor cientfico da srie. TEXTO CAROL CASTRO

Alm de revisar o script, voc pode sugerir assuntos cientficos. Voc  livre para falar sobre o que quiser? 
s vezes, os escritores s querem que eu complete com algo que tenha a ver com o episdio. Mas, quando posso escolher, prefiro colocar coisas sobre fsica elementar, coisas que voc aprende no primeiro ano. Por exemplo, gosto quando Sheldon ensina fsica para a Penny, como quando eles esto puxando uma caixa para o andar de cima e falam sobre isso. Gosto porque assim a maior parte das pessoas pode entender. Mas tambm  divertido colocar algo bem especfico, novo, porque depois eu recebo e-mail das pessoas dizendo ei, eu vi isso no programa!.

Voc conversa com os atores? Ou s com os escritores?
Eu falo mais com os escritores.  incrvel como os atores fazem tudo certinho, mesmo sem falar muito comigo. Quer dizer, eu os vejo, falo com eles, mas geralmente no conversamos muito sobre cincia. E o incrvel  que eles no s falam com a pronncia correta, como tambm entendem o resumo das teorias. Eles tambm pesquisam, quando recebem o script, para saber do que se trata o assunto. Apenas uma vez o Sheldon pronunciou uma palavra errada, ento precisei falar com ele. Mas dificilmente isso acontece.

Voc  responsvel pelas frmulas escritas nas lousas da srie. Qual  o seu critrio? 
 uma escolha pessoal. s vezes as equaes tm alguma relao com o assunto das discusses que os personagens fazem. Por exemplo, quando Howard estava para ir ao espao, havia umas equaes sobre sondas orbitais. Quando aparecem pedaos de cincia nos dilogos, eu coloco as equaes sobre esse assunto. Mas, se no h nada, opto por coisas de fsica contempornea ou estudos recentes. Ou coloco coisas que eu gosto mesmo.

J deixou passar algum erro?
Algumas temporadas atrs, eles estavam perseguindo um grilo no apartamento, que cantava de um jeito especfico. E o canto dos grilos varia de acordo com a temperatura. Ento h uma equao feita para descobrir a temperatura por meio do canto dos grilos. Quem a formulou foi o cientista A. E. Dolbear. E no script o primeiro nome estava como Emile, e deixei passar, mesmo sabendo que o primeiro nome era Amos. E eu percebi o erro s depois do episdio ir ao ar, e me senti mal. O neto dele entrou em contato comigo para nos corrigir. Eu me desculpei e o convidei para assistir a uma gravao.

Voc  o cientista mais prximo dos personagens, ento pode ser uma espcie de inspirao para eles. Voc j se viu em algum dilogo, em uma maneira de agir?
Acho que todos ns temos esses momentos quando Leonard ou Sheldon dizem alguma coisa, e voc j disse exatamente a mesma coisa anos atrs.  esquisito. Mas no acho que eles estejam se baseando em mim. Qualquer cientista pode se ver na srie.

J sugeriu alguma piada?
No comeo eu tentava sugerir, mas parei. Eles so muito mais engraados do que eu.


11. BANCO DE DADOS  QUEIJO
Ele pode ser mais pesado do que um carro. Demorar 6 meses para ficar pronto. E sua capital mundial no fica na Frana, nem na Itlia.  Eis a verdade sobre o queijo.
INFOGRFICO: RAPHAEL SOEIRO E RICARDO DAVINO

CAPITAL MUNDIAL: WISCONSIN  EUA
Fbricas: 140
Fazendas: 12.100
Pessoas: 146.000
Vacas: 1.265.000
O estado de Wisconsin, nos EUA,  o maior produtor de queijo do mundo.  Ele fabrica 600 tipos diferentes de queijo.  So 1,1 milho de toneladas de queijo por ano, mais do que o Brasil inteiro.

BRASIL
Os queijos preferidos dos brasileiros so:
1 Mussarela
2 Prato
3 requeijo
4 Minas frescal
5 Provolone
6 Parmeso.
Mais de 20 tipos diferentes de queijo so produzidos por aqui.

OS MELHORES DO MUNDO
Realizado desde 1958, o Campeonato Mundial de Queijo julga 82 categorias do produto  so 2504 participantes, de 24 pases (nenhum do Brasil)

QUADRO DE MEDALHAS DE OURO
ustria: 1
Austrlia: 1
Espanha: 2
Alemanha: 2
Holanda: 4
Dinamarca: 5
Canad: 6
Sua: 7
Estados Unidos: 54
O Gouda holands foi o campeo deste ano, com nota 98,73889 (de 100 pontos possveis)

QUEM MAIS FAZ (em toneladas)
EUA: 4,7 milhes
Alemanha: 2 milhes
Frana: 1,9 milho
Itlia: 1,1 milho
Egito: 940 mil
Brasil: 811 mil
Holanda: 752 mil
Polnia: 667 mil
Rssia: 603 mil
Argentina: 580 mil

QUEM MAIS COME (Por pessoa ao ano)
Frana: 23,9 Kg
Malta: 22,8 Kg
Alemanha: 20,9 Kg
Polnia: 19,4 Kg
Estnia: 18,9 Kg
ustria: 18,1 Kg
EUA: 15,1 Kg
Chipre: 13,6 Kg
Argentina: 12,2 Kg
Austrlia: 10,3 Kg
Brasil: 4 Kg (E, 2007, esse nmero era de 2,5 Kg per capita)

COMO SE FAZ
1 Kg de queijo
6,5 l de leite  Minas
9,5 l de leite  Mussarela
13 l de leite  Parmeso

Tempo de maturao
1 dia  Minas
15 dias  Mussarela
6 meses  Parmeso

O MAIOR 
1507 Kg  o peso do queijo minas gigante produzido anualmente para a festa do queijo de Curvelndia, no Mato Grosso, em maio.
12.500 litros de leite foram necessrios e a participao de mais de 20 pessoas para produzi-lo.

GORDOS E MAGROS
Quantidade de calorias por 30 gramas
Parmeso: 135
Gorgonzola: 102,5
Provolone: 95
Cottage: 55
Minas: 50
Cream Cheese: 37

OS MAIS CAROS
R$ 2700 por 1 Kg,  o que custa o queijo Pule, fabricado s na Srvia.  Ele utiliza leite de burras dos Blcs.
R$ 2222 por quilo  o valor do queijo fabricado com leite de alces, que  produzido por uma fbrica na Sucia  a nica no mundo que usa leite dessa espcie.  So produzidos apenas 300 Kg do queijo a cada ano.
R$ 1900  o que custa o quilo do Clawson Stilton Gold, que leva raspas de ouro.   um queijo branco com ervas, que lembra o gorgonzola.

Fontes: USDA/FAZ; EuroStats Online Database; US Census Bureau; US Dairy Product Consumption; Wisconsin Milk Marketing Board; ABIQ (Associao Brasileira das Indstrias de Queijo); Wold Championship Cheese Contest; Associao dos fazendeiros italianos Coldiretti. Assessoria do Gabinete da Prefeitura de Curvelndia.


12. INFOGRFICO  A SELEO BRASILEIRA REAL
Como seria a seleo se a convocao seguisse exatamente as caractersticas da nossa populao? Metade seria mulher. Trs jogadores seriam obesos. Quatro beberiam alm da conta. Veja aqui todas as estatsticas.

A populao do Brasil  de 190.755.799. Numa seleo de 22 jogadores, cada atleta representa 8,6 milhes de brasileiros, ou 4,5% da populao.

18% Consomem lcool em excesso (4 pessoas)
7% No tm religio (1 pessoa)
9,5% No tm emprego (2 pessoas)
10% Gays (2 pessoas)
10% Mopes (2 pessoas)
11% Acima de 60 anos (3 pessoas) - PAS VELHO: Embora os jovens ainda sejam 51% do Pas, a populao envelheceu.  A proporo de idosos, por exemplo, passou de 5,8%, em 2000, para 7,2% em 2010. 38% 30 a 59 anos; 27% 15 a 29 anos; 24% 0 a 14 anos.
8% Negros (2 pessoas) - PAS NEGRO: Pardos e negros somados j so a maioria no Brasil.  Mas ainda h diferenas. Os negros so mais jovens e esto no Norte. J os brancos tm maior proporo de idosos. 43% Pardos; 48% Brancos; 1% Outros.
8% Tm ensino Superior (2 pessoas)  24% Superior incompleto; 18% Mdio incompleto; 50% Fundamental incompleto.
15% Fumantes (1 pessoa)  O brasileiro tem l seus vvios. 15% fumam (22% so ex-fumantes) e outros 18% tm consumo abusivo de lcool mais de 5 doses de uma s vez.
7% Portador de deficincia (1 pessoa)  45 milhes de brasileiros  quase 24% da populao  declararam possuir algum tipo de deficincia no ltimo censo. Na categoria grave, que inclui paraplegia e amputaes, esto 6,7% dos brasileiros.
15% Obesos (3 pessoas)  Nas crianas, o problema deixou de ser a desnutrio e virou sobrepeso (que atinge 8% delas). Entre os adultos, 48,1% esto acima do peso e 15% so obesos.
16% das pessoas moram no campo e 84% moram em cidades (4 pessoas)

PAS RICO?
Nos ltimos 7 anos, pela primeira vez, a classe mdia virou a maioria do Pas. Ainda assim, 43% das pessoas com renda ganham at 1 salrio mnimo.  Nas fatias mais pobres, h o maior nmero de negros: 9%. Nas ricas no passa de 2%.

SALRIOS MNIMOS 
9% acima de 5 salrios (2 pessoas)
18% entre 2 e 5 salrios (4 pessoas)
30% entre 1 e 2 salrios (7 pessoas)38% entre 1/4 e 1 salrio (8 pessoas)
5% At 1/4 de salrio (1 pessoa)

INFOGRFICO KARIN HUECK, ITAMAR CARDIN, RAFAEL QUICK, JORGE OLIVEIRA E DULLA.

